segunda-feira, 24 de julho de 2017

BANAP - BREVE HISTÓRICO

Prédio do extinto BANAP, cedeu espaço para a atual AFAP - Agência de Fomento do Amapá

O Estado do Amapá já teve um banco;  foi o antigo BANAP - Banco do Estado do Amapá, atualmente extinto. A instituição bancária foi inaugurada em 24 de março de 1993, e extinta em 30 de maio de 2001. Teve, portanto, 8 anos de vida financeira. O prédio, localizado inicialmente na rua Candido Mendes, em frente ao Teatro das Bacabeiras, foi inaugurado em 26 de março de 1988.

Em 28 de abril de 1992 a instituição criou a Loteria do Estado do Amapá. Em 24 de maio de 1993 começou a funcionar a Agência Central do banco, em Macapá, no mesmo endereço.
Em 1997, por tentativa de fraude no mercado financeiro internacional, a instituição entrou em liquidação extrajudicial pelo Banco Central. O banco emitiu nos Estados Unidos e no Canadá papéis no valor de R$ 6 bilhões, uma operação milhares de vezes superior ao seu próprio patrimônio. Na época o BC detectou que a operação fora montada a partir de documentos falsos, com lastro em terras públicas, de uma reserva ambiental em Mato Grosso.
Em 30 de março de 2001 a instituição foi oficialmente extinta pelo governador João Alberto Capiberibe,  deixando um rombo de R$ 43 milhões, 150 funcionários demitidos e 14 mil correntistas lesados.O liquidante nomeado pelo BC, Moisés de Oliveira Andrade, conseguiu reaver, durante o processo de recuperação da dívida, um pouco mais de R$ 2 milhões, informando que a maioria dos devedores da instituição foram políticos e empresários influentes do próprio Estado, na época. 

Atualmente, no mesmo local (Rua Candido Mendes, em frente ao Teatro das Bacabeiras), funciona a AFAP - Agência de Fomento do Amapá -- uma espécie de banco do povo.

sábado, 22 de julho de 2017

1922: PRIMEIRO POUSO DE UM AVIÃO EM MACAPÁ

Junkier  D 218, o primeiro avião a pousar em Macapá, em 1922

            No dia 18 de março de 1922, pousou em Macapá o primeiro avião. Na realidade, era um hidro-avião. Ele fez um pouso de emergência por causa de problemas técnicos ocorridos durante a viagem. O avião, um Junkier D 218, fazia o percurso New York-Buenos Ayres, quando teve problemas mecânicos, forçando o aviador a amerissar em frente à baía de Macapá. O depoimento de uma das testemunhas, Raimundo Perez Nunes, foi colhido de uma reportagem publicada no jornal A Voz Católica, e de familiares do depoente. A notícia é um documento para a história que ilustra, sem dúvida alguma, os primeiros tempos da aviação no Amapá. Vejamos o que relata-nos Perez Nunes:

            “Sete horas da manhã  do dia 18 de março de 1922, véspera de São José. Aporto em Macapá, oriundo de Igarapé do Lago, a remo, motivado por mais um dia de trabalho duro. Naquele tempo, a comunidade não dispunha de motor, aí a gente tinha a alternativa do transporte fluvial, movido a vela ou a remo. Nédia dia a maré estava baixa. Exausto da viagem, encosto a embarcação perto do guindaste, estendendo uma pequena tela encerada sobre as pedra. Deito. A baía estava serena. A brisa soprava do norte e o sol espalhava seus raios sobre a natureza. Todo esplendor, naquela manhã inesquecível.

          Toda a cidade estava na rotina normal. Os pescadores haviam chegado da pesca. Na fortaleza de Macapá, nada de anormal. O intendente já estava prestando serviços. O vigário se preparando para a celebração da missa, após ter distribuído a comunhão aos doentes. Eu estava um pouco cansado, trabalhando desde a madrugada alta.

            O silêncio, de repente, foi quebrado, e vinha do alto.  Levantei-me e volvi os olhos em seu rumo. Vi uma canoa fundeada e cinco homens em movimento. De bordo, um grito fez-se ouvir: “avião”. Fiquei atordoado, pois tinha ouvido falar em avião, mas não tinha visto algum até a minha mocidade. Com a mesma curiosidade da população que já olhava o céu, tentando localizar o avião, levantei a vista e vi uma pequena mancha no azul do espaço.Era o sexto homem a avista-la.

            A população passou a se aglomerar em frente ao porto. Uma velha mulata começou a gritar em voz alta: “Meu Deus, é o fim do mundo! É o fim do mundo!”. O pastor da Assembléia de Deus começou a chamar seus fiéis para o templo: ´Meus irmãos, arrependei-vos enquanto é tempo, que o fim do mundo está próximo!. O rugido de Deus através de seu filho está ecoando aos quatro cantos do mundo. Oremos para que Jesus seja nosso advogado! Alelula!´. E os evangélicos, começando a se concentrar ao redor do pastor: ´Aleluia! Glória a Deus! Estamos vendo a glória de Deus! Obrigado, Jesus...`. E assim, todos os pentecostais estavam solicitando à população que ´aceitasse Jesus enquanto havia tempo!´.

            Um soldado começou a dizer seus pecados em voz alta. Um deles, é que tinha traído sua esposa na noite passada. A esposa, por desespero, o perdoou. Um velhinho de 66 anos, alquebrado pela doença, começou a correr de um lado para outro. Mais tarde ficou constatado que era paralítico e não conseguia dar mais de três passos. A caboclada começou a recolher seu material de pesca.

            As beatas da igreja de São José largaram tudo e foram para o templo católico rezar. O vigário, mal acabava de celebrar a missa, e experiente em aeronaves, começou a falar para a população que se acalmasse, pois o avião não iria fazer mal a ninguém, e o mundo ainda  tinha muito tempo de vida a cumprir. Todas as lavadeiras que estavam no Igarapé das Mulheres, largaram tudo, até de falar mal da vida alheia, e correram em disparada às imediações da Fortaleza de Macapá, sem saber, ao certo, o que estava acontecendo. O vulto crescia rápido. O povo foi dominado por um verdadeiro êxtase naquela hora.
           
       POUSO FORÇADO

       O “pássaro metálico”  deu uma volta sobre a cidade e rumou para a baía., amerissando, dirigindo-se para a praia até encalhar. Na cidade, os foguetes subiam no ar, comemorando alguma coisa que não se sabia, após o susto da “ameaça do fim do mundo” ter passado. A população, na verdade, não sabia ao certo o que era um avião, mas diante dos reclames do vigário, passou a encarar aquele espetáculo de outra maneira. Na rua da praia, perímetro do Macapá Hotel, o povo se aglomerava. Um grupo de pessoas corria pela praia rumo ao avião, fazendo com que o resto da população corresse atrás.

          Um dos pilotos, pressentindo que iria ter problemas se todo mundo subisse à plataforma do avião, desceu para os flutuadores a fim de impedir que os populares aí subissem. Eram alemães, e só um deles sabia falar algumas palavras de português. O primeiro homem a chegar ao avião foi Cirilo José Simões, que apresentou as boas vindas à tripulação. O aviador foi carregado pelos populares até a rua, e conduzido num local de destaque próximo à fortaleza de Macapá, onde a água não alcançava. Já em terra firme, e no meio do povo que se comprimia em torno do aviador, estava José Siqueira Lemos, que falava fluentemente o francês, idioma que os alemães conheciam.

            O aviador explicou o motivo da chegada inesperada em Macapá. Viajavam da América do Norte para Buenos Aires em dois aviões Junkier, de fabricação alemã: D-217, que transportava combustível, gêneros alimentícios e material indispensável à viagem, e o D-218, hidroavião de comando. Sobrevoavam a costa brasileira, quando o D-217 projetou-se no mar. Dos três tripulantes, apenas o mecânico foi salvo pelo D-218.

VISITA AO PÚBLICO
           
Sem gasolina para reabastecer, rumaram costa acima até Macapá, chegando com combustível apenas para cinco minutos de vôo. Quando a água encheu, o avião foi levado para o Igarapé da Ponte da Fortaleza, ficando novamente encalhado numa praia de areia. As autoridades locais deram toda a assistência necessária aos aviadores.

O avião foi vigiado pelo pessoal da prefeitura. À tarde foi franqueada a visita ao público. Viam-se todas as classes sociais, autoridades, famílias e o povo em geral. As irmãs religiosas do Colégio de Santa Maria (que funcionava onde atualmente é a Farmácia Cristo Rei) levaram as alunas para visitar o avião. A saraivada de perguntas das alunas foi motivo de curiosidade. O prefeito, à época, era Alexandre Vaz Tavares. Ele decretou dois dias de folga para todo mundo. No dia seguinte, José Lemos fez seguir sua canoa “Marina” para Belém, levando o comandante do avião.

Dez dias depois, chegava a “Marina” com combustível. Reabastecido, o avião partiu rumo a Belém, levando como passageiros José Lemos que, conhecedor da costa marajoara, salvou a tripulação de forte temporal, orientando a descida na Ilha das Flexas, e lutou contra o mar e o vento até abrigar o avião em tempo seguro. Nessa luta, foi José Lemos acometido de forte pneumonia. Dia seguinte, em Belém, ele foi hospitalizado por conta do governo alemão, até seu complexo restabelecimento.”



segunda-feira, 17 de julho de 2017

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO AMAPÁ - Breve Histórico



A Assembleia Legislativa do Amapá foi instalada em 1º de janeiro de 1991. Representa o Poder Legislativo do Estado do Amapá. Os representantes do povo amapaense compõe-se atualmente de 24 Deputados Estaduais eleitos pelo sistema proporcional para mandato de quatro anos. Foi criada após a promulgação da Constituição Federal de 1988, quando também o ex-Território Federal do Amapá foi transformado em Estado. Como o Estado do Amapá foi transformado em outubro de 1988, em novembro do mesmo ano foi designado um presidente provisório para coordenar a efetivação da eleição que elegeu a primeira mesa diretora.

O Poder Legislativo Amapaense dispõe sobre as matérias de competência legislativa do Estado, além de exercer a fiscalização dos atos do Poder Executivo, nos termos das Constituições Federal e Estadual. A Legislatura, correspondente ao período de 4 anos, é a duração do mandato do Deputado eleito. No Estado do Amapá, a 1ª Legislatura teve início em 1º de janeiro de 1991, com a instalação da Assembléia Legislativa Constituinte, em Sessão Solene, presidida pela Desembargadora Maria Lúcia Marcos dos Santos, Presidente do TRE/PA.

O número de representantes do Amapá na Assembléia Legislativa do Amapá segue critérios do artigo 27 da Constituição Federal. Vejamos o que diz o texto:

“O número de deputados  à Assembléia Legislativa corresponderá ao triplo da representação do Estado na Câmara de Deputados e, atingido o número de 36, será acrescido de tantos quantos foram os deputados federais acima de doze”.

No caso do Amapá, que tem oito representantes na Câmara Federal, o número de representantes no Estado é de 24. Diz o artigo 27, no seu parágrafo
I: “Será de quatro anos o mandato dos deputados estaduais”.



Os primeiros 24 deputados estaduais da história do Amapá foram:

-          Presidente: Nelson Benedito Salomão de Santana.
-          Adonias de Freitas Trajano de Souza (Adonias Trajano)
-          Aloísio Gomes da Silva (Aloisio Gomes);
-          Amiraldo da Silva Favacho (Amiraldo Favacho)
-          Antonio Pinheiro Teles (Antonio Teles)
-          Dáqueo da Costa Ribeiro (Dáqueo Ribeiro)
-          Félix Ramalho;
-          Fran Soares do Nascimento Júnior (Fran Júnior)
-          Geraldo Rocha;
-          Hildo dos Santos Fonseca (Hildo Fonseca)
-          Janete Góes Capiberibe (Janete Capiberibe);
-          Jarbas Ferreira Gato (Jarbas Gato);
-          Jefri José Braga Hippolyte (Jefri Hippolyte);
-          João Dias de Carvalho;
-          Julio Miranda Coelho;
-          Luiz Cantuária Barreto (Lucas Barreto);
-          Francisco Maurício de Sena Júnior (Mauricio Júnior)
-          Milton Rodrigues;
-          Nilde Ceciliano Santiago (NIlde Santiago)
-          Regildo Salomão de Wanderley;
-          Ricardo Soares Pereira de Souza (Ricardo Souza)
-          Sebastião Bala Rocha;
-          Antonio Waldez Góes da Silva.



 Sob a presidência do deputado Nelson Salomão, e tendo como relator Nilde Santiago, em 20 de dezembro de 1991 é promulgada a Primeira Constituição do Estado do Amapá, que consta de 355 artigos (menor que a Lei Orgânica da capital) nas disposições gerais e 53 nas disposições transitórias.

O prêambulo diz o seguinte:


“Nós, os primeiros deputados estaduais, representantes do povo amapaense, reunidos em Assembleia Estadual Constituinte para instituir o ordenamento básico e reafirmar os valores que fundamentem, os objetivos e princípios da Constituição da República Federativa do Brasil, invocando a proteção de Deus, inspirados no ideal de a todos garantir justiça, liberdade e bem-estar, promulgando a Constituição do Estado do Amapá”

sábado, 15 de julho de 2017

Memória: BARÃO DO RIO BRANCO (1845-1912)


Estadista brasileiro e diplomata, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, nasceu no Rio de Janeiro no dia 20 de abril de 1845, e ai faleceu no dia 10 de fevereiro de 1912. Foi filho do Visconde do Rio Branco, um dos grandes estadistas do Império.Ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, transferindo-se para Recife, onde concluiu seus estudos. Foi promotor publico em Nova Friburgo, e deputado geral pela Provincia de Mato Grosso. Esteve com seu pai, o Visconde do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos), em missão especial no Paraguai. Foi consul do Brasil em 1876 em Liverpool, na Inglaterra. Representou o Brasil em 1884 na Exposição Internacional de Petersburgo. Foi nomeado logo após a Proclamação da Republica do Brasil, Superintendente na Europa, no Serviço de emigração para o nosso país. Em 1888 recebeu o titulo de Barão do Rio Branco, devido a solução da pendência entre Brasil e a Guiana Francesa sobre a região do Amapá.  Foi ministro do Brasil em Berlim, e convidado pelo presidente Rodrigues Alves, para dirigir a Pasta de Relações Exteriores.


            Logo depois, conseguiu resolver a questão do Acre, em 17 de novembro de 1903. Firmou-se o Tratado de Petrópolis, que pôs fim a esse litígio. Ficaram marcados a habilidade com que Rio Branco atuou na pasta das Relações Exteriores e o êxito desse brilhante diplomata na resolução de inúmeras questoes de limites com países sul-americanos, e por tratados com nações européias e da América. Foi presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e membro da Academia Brasileira de Letras. Escreveu diversos livros, entre eles: Memória Brasileira; História Militar do Brasil; Ephemerides Brasileiras; Episodios da Guerra do Prata; Questões de Fronteira. A Questão do Amapá.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

PRESENÇA PROTESTANTE NO AMAPÁ



Os primeiros missionários a chegar em Macapá, com idéias protestantes, foram os pentecostalistas (Assembléia de Deus), em 1916. O movimento pentecostal começou no mundo em 1906, na Califórnia, com o pastor W. L. Seymour, que baseou-o sobre o dom das línguas, tendo como fundo histórico o acontecimento ocorrido entre os apóstolos (Pentecostes), eles passaram a falar línguas estranhas. O movimento espalhou-se por todas as principais cidades norte-americanas, gerando muitos adeptos.
1982 - Templo Central anterior da Assembléia de Deus

Em 1910, desembarcaram em Belém do Pará os primeiros missionários da nova religião: Daniel Berg e Gumar Vingreu, provenientes de Nova Yorque (EUA). Eles vieram da Igreja Batista e, como encontraram vários motivos bíblicos que não se enquadravam com a vida missionária que levavam, resolveram aderir ao novo movimento religioso.

No Amapá, coube a um boliviano de nome Clímaco Bueno Aza, convertido à nova religião em 1913, no interior do Pará, a trazer as idéias da Assembléia de Deus a Macapá. Ele chegou em 26 de junho, com malas cheias de bíblias, folhetos e evangelhos. Somente alguns dias depois a cidade tomou conhecimento da presença do evangelista.

O movimento em Macapá formou-se mediante muitas perseguições. Desde Clímaco chegou a Macapá, foi vítima de vários ataques, chegando mesmo até a uma decisão radical do vigário da cidade, então padre Júlio Maria de Lombaerde, a queimar os livros em praça pública, com a ajuda da polícia e convocação da população. Mas Clímaco não desanimou e persistiu.  Houve uma segunda viagem, desta vez com reforços e um salvo-conduto do chefe-de-polícia de Belém que, mediante o preceito constitucional da liberdade religiosa, conseguiu com melhor empenho desenvolver seu movimento aqui.


Em 1917 chega outro evangelista da Assembléia de Deus, de nome José de Matos, dando continuação ao trabalho de Aza. Assim, em 27 de junho de 1917 José de Matos funda a Assembléia de Deus em Macapá. Num sábado, 30 de junho, aconteceu “o primeiro batismo com o Espírito Santo”. Em 21 de agosto de 1958 foi consagrado novo templo, desta vez situado no centro da cidade, na Rua Tiradentes com Presidente Vargas.

TERRA INDÍGENA UAÇÁ



A Terra Indígena Uaçá está localizada no município de Oiapoque. Foi  criada pelo decreto federal nº 298/91, de 29 de outubro de 1991, que também delimitou a área, com uma extensão de 470.164 km2.

TERRA INDÍGENA JUMINÁ



Localizada no municipio de Oiapoque, no Estado do Amapá, a Área Indígena Juminá  foi delimitada em 9 de março de 1989, pela portaria ministerial nº 202, do Ministério da Justiça, abrangendo uma área de 41.601 km2, no município de Oiapoque.

MARABAIXO: MAIS RESPEITO À NOSSA CULTURA

Mestres Julião Rams e Raimundo Ladislau O Marabaixo atualmente é a maior expressão cultural do nosso Estado, e em especial de nossa c...