terça-feira, 9 de janeiro de 2018

JULIÃO RAMOS, UM DOS PRECURSORES DO MARABAIXO


Um dos maiores lideres da comunidade negra do ex Território do Amapá, e considerado um dos patriarcas do Marabaixo (e era exímio tocador de Caixa, principal instrumento do Marabaizo. Nasceu em Macapá, em 9 de janeiro de 1890. Faleceu também em Macapá, em 25 de junho de 1958.Filho de Thomaz Agrávio Ramos  e Felícia Agrávio Ramos.

Estudou na escola primária, o suficiente para ler e escrever. A residência de seus pais ficava entre o barranco da atual Praça Euclides Figueiredo e a então estreita Rua de Trás, que já foi Independência, e hoje tem o nome de Binga Uchoa.

Foi com ele que o governador Janary Nunes teve os primeiros entendimentos para transferência de famílias com seus barracos, para uma área mais distante, por tràs do “Poço do Mato”, que denominavam  Campos do Laguinho”. Houve reação inicial dos negros, em razão  deles terem que se desfazer das árvores frutíferas e pequenas roças, mas o governo ofereceu uma gorda indenização, e o compromisso  de construir casas confortáveis. Foi assim que surgiu o bairro do Laguinho.



Casou com Januária Simplício Ramos, que lhe deu seis filhos: Felícia Amália, Alipio de Assunção, Apolinário Libório, Benedita Guilhermina  e Joaquim Miguel. Foi servidor público municipal, encarregado de zelar pelo Campo de Aviação.  Na cultura, formou com Raimundo Ladislau a dupla de maior expressão do Maraaixo, tendo Raimundo Ladislau como compositor e autor das letras e versos ladrões do marabaixo, e Julião Ramos  como tocador de caixa e “cantador”

MÃE LUZIA, nossa primeira parteira


Se estivesse viva, hoje (9 de janeiro) completaria 164 anos. Ela foi uma das primeiras parteiras da fase territorial do Amapá. Filha de escravos, seu nome cristão era Francisca Luzia da Silva.  Nasceu em Macapá em  9    de  janeiro   de 1854, e faleceu em Macapá, aos 100 anos, em 24 de setembro de 1954. Foi homenageada, dando seu nome à Maternidade de Macapá, que passou a se chamar Hospital da Mulher Mãe Luzia. Passou a ser imortalizada através do poema de Álvaro da Cunha, que diz, numa das estrofes:

            “Mãe Luzia! Mãe preta e um coração
            Que através dos milagres de ternura
            Da mais rudimentar puericultura
            Foi o primeiro doutor da região”.



            Naquela época, as mãos e a experiência de Mãe Luzia trouxeram centenas de vida a este pedaço de Brasil. Ganhou o título de Mãe Luzia do coronel Coriolano Jucá, intendente (espécie de prefeito) de Macapá em 1895, que convidou-a para trabalhar como parteira, com remuneração de um salário, da Intendência de Macapá. A alcunha de “Mãe Luzia” foi dada, carinhosamente, por Coriolano.

            Também lavadeira, Mãe Luzia passava boa parte do dia curvada sobre a tina de água, nos coradouros, levantando varais de roupas e os pesados ferros de engomar. Morava no “Formigueiro”, localizado atrás da Igreja de São José, e sempre foi visitada pelas autoridades do Amapá, em busca de conselhos., entre elas o governador Janary Nunes.  Em contraste com a bata branca, sempre bem engomada, com a qual costumava sair, Mãe Luzia recebia os visitantes vestida nos costumes de seus ancestrais, com os seios expostos e sais rodadas. Inspirou artistas de todas as áreas, que em versos e telas eternizaram sua coragem e dedicação.



            Foi casada com Francisco Secundino da Silva, um jovem negro, também filho de escravos, que por força política de Mãe Luzia chegou aos postos de comandante da Guarda Nacional e vereador de Macapá. Faleceu aos 109 anos, em 24 de setembro de 1954, e foi sepultada em grande cortejo popular. Seu nome foi dado à antiga Maternidade de Macapá, inaugurada no dia 13 de setembro de 1953, pelo ex-governador Janary Nunes.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Personagens: PADRE JÚLIO MARIA DE LOMBAERDE (1878-1944)



Júlio Emílio Alberto de Lombaerde. Sacerdote belga pertencente à Congregação dos Missionários da Sagrada Família, MSF. Nasceu em Beveren-Leie-Warengem em 7 de janeiro de 1878. Faleceu em Manhumirim, MG, em 24 de dezembro de 1944. Seus pais foram José de Lombaerde e Sidônia Steelandt. Em abril de 1895 entra para a Congregação dos Padres Brancos, na África, recebendo, como postulante, o nome de Irmão Optato-Maria, ficando ali até 1901. Em fevereiro de 1902 entra para a congregação dos Missionários da Sagrade Família (MSF), em Grave (Holanda). Faz os votos provisórios em 4 de outubro de 1903 e é ordenado em 13 de junho de 1908.



Em 15 de outubro de 1912 chega ao  Brasil, através de Recife (Pernambuco), a bordo do transatlântico alemão Krefeld. Em 23 de outubro segue para Natal (RN) com mais quatro missinários, chegando n o dia seguinte (24). Dois dias depois parte para São Gonçalo (Minas Gerais). Em janeiro de 1913 segue viagem para Belém (Pará), chegando no dia 18. Permanece por um mês na capital paraense. Chega a Macapá, no Amapá, pela primeira vez, em 27 de fevereiro de 1913. Desta data até 23 de abril de 1916 trabalha como coadjutor do padre José Maria Lauth (MSF). A partir de então atua como vigário da paróquia de São José de Macapá até 1923.


Em 20 de novembro de 1916 funda a congregação católica religiosa feminina Filhas do Coração Imaculado de Maria, em Macapá. A partir de 1923 até 1926 atua em Belém. De 1926 a 1928 é vigário em Natal (RN). A partir de 25 de março de 1928 transfere-se definitivamente em Manhumirim-MG, até falecer, em 1944. Em 13 dezembro de 1917 funda em Macapá o Colégio de Santa Maria, para abrigar meninas em regime de internato e semi-internato. Em 14 de janeiro de 1918 funda uma escola infantil em regime de semi-internato em Macapá, para abrigar menores abandonados. Em 15 de fevereiro de 1918 funda em Macapá o cine Olímpia, que passa a funcionar aos domingos. Em 16 de março é nomeado diretor da Instrução Pública, pelo intendente de Macapá, Alexandre Vaz Tavares.

Em 18 de julho de 1919 monta um teatro educativo e religioso em Macapá, para os jovens aprenderem a falar em público. Em 17 de setembro cria a Banda Marcial São José, com 25 integrantes escolhidos entre os rapazes de sua confiança, pagando um maestro de Vigia (Pará) para rege-la.  Em 15 de maio de 1923 é transferido para Icoaraci, em Belém (Pará). Em 25 de março de 1928 funda em Icoaraci a congregação masculina dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora. Em 25 de março de 1929 funda a congregação das  Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora.
           
Falece m 24 de dezembro de 1944, em desastre automobilítico, em Vargem Grande (Presidente Soares, Minas Gerais).         Escreveu dezenas de obras em francês e português, abordando ensinamentos católicos, romances, pregação e meditação. Na Europa foi responsável pela revista “Le Messager de La Sainte Familli” (Grave, Holanda). De 1916 a 1917 escreveu intensamente no jornal “Correio de Macapá”. De 1914 a 1934, por vinte anos consecutivos, escreveu no jornal “Voz de Nazaré”, de Belém. De 1926 a 1928, no Rio Grande do Norte, escreveu no “Diário de Natal”. Em 1928, m Manhumirim, fundou o jornal “O Lutador”, e fundou a editora “O Lutador” para impressão de suas obras.


Personalidades: ALCY ARAÚJO CAVALCANTE (1924-1989)


Jornalista e escritor, Alcy Araújo Cavalcante (Alcy Araújo) nasceu em Igarapé Açu-PA,  em 7 de janeiro de 1924, e faleceu em Macapá em 22 de abril de 1989. Diplomou-se em Artes Industriais pela Escola Industrial de Belém (hoje Escola Técnica Federal), especializando-se em marceneiro, torneiro, marcheteiro, polidor, empalhador e carpinteiro civil, exercendo essas atividades até os 17 anos, quando deixa as fábricas e ingressa no jornalismo. Como jornalista, começando como revisor, galgou as funções de repórter, noticiarista, cronista, redator e editorialista, nos jornais do Pará de 1941 a 1944: “Folha do Norte”, “Folha Vespertina” e “O Imparcial”. De 1944 a 1947 trabalhou nos jornais  “O Estado do Pará” e “Pará Ilustrado”. De 1947 a 1953 trabalha nos jornais “A Província do Pará”, “Vanguarda” e “O Liberal”. Colaborou  na revista literária “Novidades”, fundada por Otávio Mendonça.


Teve seus trabalhos publicados em suplementos literários ao lado de nomes famosos como Bruno de Menezes, Eymar Tavares, Georgenor Franco, Rodrigues Pinagé e Ruy Guilherme Barata, e de poetas vanguardistas, como Álvaro da Cunha, Fernando Tasso, Leonam Cruz e outros. Chegou ao Amapá em 1953, fixando residência, desenvolvendo intensa atividade artística, cultural e jornalística, com artigos diários em jornais e emissoras de rádio.  Foi fundador da Associação Amapaense de Imprensa, e de várias revistas literárias, tendo sempre uma facilidade extraordinária para escrever artigos que eram publicados diariamente nos jornais e emissoras de rádio. Usava vários pseudônimos para assinar suas matérias, sendo o mais famoso, “Gatinho do Titio”.   



Em 1953 casa com a professora Delzuite Carvalho, tendo quatro filhos (Alcione, Alcinéa, Alcy Filho e Alcilene). Ele a conheceu em Belém, no bairro do Telégrafo, quando começou o namoro, mas a jovem se transferiu para Macapá e, para sua surpresa, no inicio de 1953, e se casam, tendo os filhos  Alcione, Alcinéa, Alcy Araújo Filho, Alcilene. Em 1970 divorcia-se da professora Delzuite, e casa com  Maridalva Rodrigues dos Santos, que lhe dá os filhos Adtrid, Alice. Admitido a partir de 1953 no quadro dos funcionários do governo do Amapá, com a função de redator do Gabinete do Governador, exercendo, em seguida, vários cargos na administração pública. Trabalhou em quase todos os jornais do Amapá, e por longos anos na Rádio Difusora de Macapá, chegando á direção da emissora. Em 12 de maio 1960,é lançada no rio a obra Modernos Poetas do Amapá, com poemas de Alcy Araújo Cavalcante. Em 3 de julho de 1965 lança a obra AUTOGROGRAFIA (Crônicas) em Macapá.


           
Foi vencedor, em 1969, do I Festival Amapaense da Canção, com a música “Canção Anti-Muro”, em parceria com Nonato Leal. Compôs vários sambas de enredo para a Embaixada de Samba Cidade de Macapá, Maracatu da Favela e outras escolas. Em 1970 divorcia-se da professora Delzuite, e casa-se com Maridalva Rodrigues dos santos, nascendo as filhas Astrid, Aline, Aldina e Adriane. Escreveu: Amapá 1968 (monografia); Amapá, Verde Território da Esperança (crônica); Autogeografia (crônica e poesia); Jardim Clonal (poesia) e Poemas do Homem do Cais  (Poesia).. Em 18 de abril de 1989 publica seu ultimo texto:”Carta Aberta ao Povo Amapaense”, publicada no jornal Amapá Estado depois da sua morte. Falece em 22 de abril de 1989 , aos 65 anos.


            Obras publicadas: AMAPÁ 1968 – monografia; AMAPÁ, VERDE TERRITÓRIO DA ESPERANÇA – Poesias. AUTOGEOGRAFIA – crônicas e poesias; AVE TERNURA (inédito) – crônicas e poesias; CARTAS PRO ANJO (inédito) – crônicas; HISTÓRIAS TRANQUILAS – contos; JARDIM CLONAL – Poesia (obra póstuma, publicada pela Associação Amapaense de Escritores em 1997). MUNDO PARTIDO – (inédito) poesia. POEMAS DO HOMEM DO CAIS – poesia; TEMPO DE ESPERANÇA (Inédito) – crônica e poesia. TERRA MOLHADA (inédito) – romance.    TERRITÓRIO FEDERAL DO AMAPÁ -  monografia.


            Participou nas seguintes antologias: MODERNOS POETAS DO AMAPÁ; COLETÂNEA AMAPAENSE DE POESIA E CRÔNICA, e INTRODUÇÃO À LITERATURA DO PARÁ (obra da Academia Paraense de Letras). Sua biografia figura nas obras BRASIL E BRASILEIROS DE HOJE (enciclopédia); GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA (editada em Lisboa).

sábado, 6 de janeiro de 2018

Personagens da história do Amapá: HEITOR PICANÇO (1924-2011)



Professor e ex-prefeito de Macapá, HEITOR DE AZEVEDO PICANÇO nasceu na localidade de São Sebastião do rio Pedreira, Município de Macapá, no dia 6 de janeiro de 1924, e faleceu em Macapá, em 29 de agosto de 2011. Primogênito do casal João Batista de Azevedo Picanço e de Maria Claudina Picanço. Iniciou seus estudos no antigo Grupo Escolar de Macapá, onde concluiu os preparativos para prestar exames de admissão ao curso ginasial no Colégio Salesiano Nossa Senhora do Carmo, na cidade de Belém, concluindo no ano de 1942; ingressou na Escola Técnica de Comércio do Amapá, por onde se graduou Técnico em Contabilidade.

 Ingressou na vida pública ao ser nomeado Auxiliar de Tesoureiro do ex-Território do Amapá, por indicação de seu pai. Casou-se com a jovem Helenita Gomes de Souza no dia 13 de maio de 1948, com quem teve os filhos Heleni, João Batista, Heiliana, Roberval, Herbert, Francisca, Helder e Hildemar. Heitor exerceu, na conjuntura administrativa do Território do Amapá, o cargo de Tesoureiro, substituindo seu pai ao se aposentar; Prefeito de Macapá por duas vezes – de Agosto de 1951 a novembro de 1952 e de Janeiro de 1957 a março de 1961; Diretor Financeiro da Companhia de Água e Esgoto do Amapá-CAESA; Chefe de Gabinete da Secretária de Saúde; Membro do Conselho Deliberativo da Companhia de Eletricidade do Amapá-CEA; exerceu o mandato de Prefeito pró tempore de Santana. Além dos cargos que exerceu, Heitor deu aulas na Escola Técnica de Comércio nas matérias de Análise de Balanço e Contabilidade Pública; membro do Conselho Deliberativo do Esporte Clube Macapá e do Amapá Clube; político ligado ao antigo PSD, esteve sempre liderando grupos e elegendo amigos. Faleceu em Macapá, em 29 de agosto de 2011.

TRISTE LEMBRANÇA DO NAUFRÁGIO DO BARCO NOVO AMAPÁ



Era noite de 6 de Janeiro de 1981, quando o barco ribeirinho Novo Amapá naufragou na foz do rio Cajari, próximo ao município de Monte Dourado (PA), levando às águas mais de seiscentas pessoas. Trezentas destas perderam a vida e dezenas passaram horas de pânico e desespero, imersas na água e na escuridão.

A embarcação partiu do Porto de Santana com mais de 600 passageiros e quase um tonelada de carga comercial. Seu destino era o município interiorano de Monte Dourado, com escala em Laranjal do Jari. Como as viagens anteriores duravam em torno de um dia e meio, seu proprietário havia reformado-lhe, instalando um motor hidráulico a mais, o que facilitaria na velocidade da embarcação.

A lista de despacho, segundo a Capitania dos Portos na época, tinha registrado cerca de 150 pessoas licenciadas pelo despachante Osvaldo Nazaré Colares. Mas na embarcação havia mais de 600 vidas. O despachante (falecido em abril de 2001, vítima de Dengue Hemorrágica) afirmou que só foi informado da tal lista após já ter partido há certas horas e que a lista foi deixada sob sua mesa, quando ele estava ausente.

O comandante responsável pela viagem, Manoel Alvanir da Conceição Pinto, seguiu todas as instruções necessárias do proprietário, sobre a viagem. O proprietário era Alexandre Góes da Silva, que teve seu corpo encontrado no camarote da embarcação. Seu único comentário (Alvanir) volta-se para o comando do barco. Segundo versões de sobreviventes na época, a responsabilidade pela cabine de comando estava nas mãos inexperientes de um garoto. "Isso é mentira. Havia sim um garoto ao meu lado na cabine de comando, mas não deixei por nenhum momento ele pegar na direção do barco, como andaram dizendo", afirmou o ex-comandante que fez, da que seria uma simples viagem fluvial, o maior naufrágio da navegação brasileira.

"FOI INEVITÁVEL"



Segundo a lista da Capitania dos Portos do extinto Território Federal do Amapá, cerca de 650 pessoas embarcaram no Novo Amapá e menos de 180 puderam sobreviver. "Muita gente diz que foram duzentos e poucas pessoas que sobreviveram. Isto não é verdade", contradiz dona Creuza Marques dos Reis, sobrevivente hoje com 65 anos. Dona Creuza embarcou com sua filha e a neta. Somente ela e a neta de um ano e meio sobreviveram. Atualmente morando em Santana, tem como sustento um estabelecimento comercial diversificado.

Sobrevivente Armando da Silva Batista contou, em depoimento, que uma das causas das inúmeras mortes terem ocorrido foi o auxílio dos salva-vidas. "Essas pessoas que pegaram os salva-vidas morreram quase todas porque dormiram e aquilo atrapalhou; não sabiam o que estava acontecendo", disse.

Funcionário de empresa que vendia utensílios de cozinha para toda a região do Amapá, Armando viajava freqüentemente em época de pagamentos, para fazer cobranças, acompanhado do colega Edson. Momentos antes da tragédia ambos haviam se separado. "Como a área das redes estava muito quente, disse pro meu colega que ia pro andar de cima e quem sabe só retornar de manhã", relatou.

Ao ser perguntado sobre o momento em que o barco tombou, Armando contou com detalhes: "Levei uns 15 minutos pra chegar na cabine. Quando cheguei lá, ele (comandante) mandou servir um café pra mim, pro Roberto (amigo) e duas meninas do Jari. Nos 15 minutos que cheguei lá, o barco deu um tombo para um lado e um tombo para o outro. Eu ainda perguntei pro Alvanir: 'Alvanir, isso é maresia?'. Ele disse: 'Rapaz, por incrível que pareça, nessa região não dá maresia'. Quando ele terminou de falar, o barco tombou de uma vez. Foi como uma virada de carro. Inevitável."

Buscando até mesmo com precisão a hora em que o barco tombou, foi o que aconteceu com o sobrevivente Enoque Magave da Silva, minutos antes do trágico tombo, conseguiu ver as horas em seu relógio de pulso: eram 20h45min. "Eu estava com relógio no braço e vi as horas normalmente. Quando de repente senti o barco virar lentamente. Como estava deitado numa rede de frente para uma senhora, fui um dos primeiros a parar logo dentro d'água na hora do tombo", contou Magave, que no mesmo ano do desastre casou-se com sua atual esposa e ingressou na Polícia Militar.

Kátia Isabel Andrade, sobrevivente, era amiga pessoal da tripulação, principalmente do comandante Manoel Alvanir e do proprietário Alexandre Góes da Silva. "Tinha feito outras viagens no barco e já conhecia o pessoal", disse Kátia, que ironizou a tragédia momentos antes de acontecer, na hora da jantar. "Eu terminei de jantar e disse pro pessoal na mesa que ia me banhar e minhas colegas disseram: 'Tu vai morrer', daí eu falei: 'Não vou não. Se não morrer agora, não morro mais'. Daí fui pro banheiro, tomei banho e voltei pro camarote (...)". Segundo Kátia, foi tão rápida a virada do barco que ela só percebeu o que estava se passando quando as luzes do camarote se apagaram e que água circulava ao seu redor.


O DESASTRE



Após partir do Porto de Santana por volta das 14hs do dia 6 de Janeiro de 1981, a embarcação tombou aproximadamente às 21hs. A notícia da tragédia chegou à capital no dia seguinte, através de dois sobreviventes.

A verdadeira dimensão do desastre iniciou quando a imprensa local divulgou a lista de despacho na qual constava que somente 146 pessoas haviam sido liberadas para viajar, enquanto que na embarcação estiveram presentes mais de seiscentas pessoas.

Em menos de 48 horas toda a imprensa nacional voltou-se para o então Território Federal do Amapá, acompanhando todas as informações sobre a tragédia do Cajari. O jornal norte-americano New York Times do dia 10 de Janeiro publicou matéria na primeira página sob o título "Tragédia na Amazônia: 282 mortos".

CULPADOS



Segundo alguns sobreviventes, a inexperiência de um garoto na cabine de comando pode ter sido a causa do desastre. O garoto que muitos se referem pode ser José Roberto da Silva Pinto, hoje com 32 anos e que há pouco tempo trabalhava no cemitério onde foram enterradas as vítimas do naufrágio. "Isso é mentira dizerem que foi um garoto a causa principal da tragédia", disse José Roberto, criticando certas afirmações ditas na época pela imprensa.

Roberto era amigo da tripulação há tempos e, vez por outra, viajava no Novo Amapá a pedido do proprietário Alexandre Góes, que comandava a embarcação e também era dono de um estabelecimento comercial no município de Santana, onde Roberto já trabalhara. "Antes mesmo de começar a viajar no Novo Amapá, eu trabalhava num bar de que ele era dono", disse Roberto.

Alguns sobreviventes insinuaram que um banco de areia pode ter sido uma das principais causas do trágico tombo na foz do Cajari. Mas segundo certas informações que se encontram em livros geográficos e hidrográficos da época, o nível do rio Cajari era bastante alto para levá-lo a inclinar-se lentamente para as águas.

Outra grande causa - e a mais conhecida até hoje - vem a ser a superlotação da embarcação. Mas, pergunta-se: se a superlotação possa ter sido a causa do naufrágio do barco Novo Amapá, por que não tombou momentos após deixar o Porto de Santana, sabendo que havia uma grande quantidade de passageiros à bordo?

 DINHEIRO


O Governo Territorial, que tinha como chefe executivo o comandante Annibal Barcellos, buscou auxiliar moralmente, mas a ajuda foi carente, tanto que a verba enviada do Governo federal para ser utilizada no resgate dos sobreviventes e servir parcialmente na indenização dos parentes das vítimas era de 25 milhões de cruzeiros (hoje em torno de 10 milhões), mas somente cinco mil cruzeiros foram usados, no que se levou a crer num desvio, assim divulgado pelo Jornal Amapá Urgente de 12 de Janeiro de 1981.


O fato entrou em processo jurídico um ano depois quando o advogado Pedro Petcov assumiu o caso, rolando pela Justiça federal por quase 15 anos. Após a morte do advogado em 1996, o caso foi arquivado sem ter alcançado o principal objetivo: indenizar os familiares das vítimas mortas e os sobreviventes. "Todos ainda têm uma esperança de algum dia receber algo da justiça pela aquela noite trágica", disse o sobrevivente Haroldo Fernandes de Souza, hoje com 44 anos, atual funcionário do Tribunal de Contas do Estado, na esperança de receber algum dia algo que compense a fatídica noite de 6 de Janeiro de 1981.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

BOÊMIOS DO LAGUINHO, 64 ANOS DE SAMBA



A ASSOCIAÇÃO UNIVERSIDADE DE SAMBA BOÊMIOS DO LAGUINHO foi fundada em Macapá, em 2 de janeiro de 1954 por um grupo de boêmios moradores do bairro do Laguinho, tendo como primeiro presidente, Benedito dos Passos (Mestre Bené). 


Sua sede está localizada na Avenida General Osório, entre Eliezer Levy e General Rondon, no bairro do Laguinho. Sua característica principal é a preservação da identidade de agremiação carnavalesca, pela manutenção de suas raízes, como a Ala dos Veteranos, Ala dos Compositores.




Suas cores oficiais são vermelho e branco. É uma das maiores detentoras de títulos amapaenses.

MARABAIXO: MAIS RESPEITO À NOSSA CULTURA

Mestres Julião Rams e Raimundo Ladislau O Marabaixo atualmente é a maior expressão cultural do nosso Estado, e em especial de nossa c...